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Tarifa branca vale a pena para quem carrega carro elétrico em casa?

Vale quando o carro carrega de madrugada e a casa gasta pouco no fim da tarde. Como funciona a tarifa branca, quem pode aderir e a conta para decidir.

  • Guias

Quem compra um carro elétrico e começa a carregar em casa costuma ouvir a mesma dica: “muda para a tarifa branca, que de madrugada a energia é mais barata”. A dica pode economizar dinheiro todo mês. Também pode deixar a conta mais cara.

Este texto explica como a tarifa branca funciona, quem pode aderir e faz a conta com os valores reais da Copel, no Paraná.

A resposta curta

A tarifa branca costuma valer a pena quando duas coisas são verdade ao mesmo tempo:

  • o carro carrega fora do horário de ponta, de madrugada ou no fim de semana;
  • a casa gasta pouco no fim da tarde dos dias úteis, quando o kWh fica mais caro.

Se o carro é ligado assim que você chega do trabalho, ou se o chuveiro elétrico trabalha pesado entre 18h e 21h, a tarifa branca pode sair mais cara que a convencional.

O que é a tarifa branca

Na tarifa convencional, o kWh custa o mesmo a qualquer hora. Na tarifa branca, que a ANEEL chama de modalidade tarifária horária branca, o preço muda conforme o horário do dia. A Resolução Normativa ANEEL nº 1.000/2021, publicada no Diário Oficial em 20 de dezembro de 2021, divide o dia útil em três postos tarifários (art. 2º e art. 212):

  • Ponta: três horas seguidas, definidas por cada distribuidora e aprovadas pela ANEEL. É o kWh mais caro.
  • Intermediário: uma hora antes e uma hora depois da ponta. Fica no meio do caminho.
  • Fora de ponta: todas as outras horas do dia. É o kWh mais barato.

Sábados, domingos, terça-feira de Carnaval, Sexta-feira da Paixão, Corpus Christi e os feriados nacionais listados na resolução não têm horário de ponta. Feriados estaduais e municipais seguem com ponta normal. Na prática, o fim de semana inteiro é cobrado como fora de ponta.

O horário exato da ponta muda de distribuidora para distribuidora, e às vezes dentro da mesma área de concessão. Na Copel, no Paraná, a ponta costuma ser das 18h às 21h, com o intermediário das 17h às 18h e das 21h às 22h. Confirme o horário da sua região no site da distribuidora ou na fatura.

Quem pode aderir

A adesão é opcional para quem está no grupo B, que é a baixa tensão, onde estão praticamente todas as casas e apartamentos. A mesma resolução (art. 219) proíbe a tarifa branca em três casos: unidade das subclasses residenciais baixa renda e desconto social, iluminação pública e unidade faturada em pré-pagamento.

  • Prazo: até 30 dias para a troca numa unidade já ligada (art. 222).
  • Medidor: o medidor de faturamento é custo da distribuidora (art. 228).
  • Arrependimento: dá para voltar à convencional a qualquer momento, mas uma nova adesão só depois de 180 dias, ou antes, se a distribuidora aceitar (art. 223).
  • Fatura: a conta mostra a energia de cada posto separada (art. 327).

Por que o carro elétrico muda a conta

Na maioria das casas, a tarifa branca não compensa sozinha: banho, cozinha e televisão se concentram no começo da noite, onde ficam a ponta e o intermediário. O carro elétrico é diferente. É uma carga grande que pode esperar, desde que esteja pronto de manhã, e por isso é o consumo ideal para o fora de ponta.

E ele não precisa da noite inteira. Quem roda 1.000 km por mês, com um carro que gasta perto de 15 kWh a cada 100 km (o número real do seu aparece no painel), precisa de uns 150 kWh por mês, ou cerca de 5 kWh por dia. Um carregador de 7 kW entrega isso em menos de uma hora. Mesmo que o carro aceite menos potência em corrente alternada, sobra madrugada. Para estimar o tempo no seu caso, veja como calcular o tempo de carregamento.

A conta que decide

A tabela abaixo é a da Copel para o consumidor residencial (subgrupo B1), da Revisão Tarifária homologada pela ANEEL na Resolução Homologatória nº 3.592/2026, em vigor desde 24 de junho de 2026. São as duas parcelas da tarifa somadas, energia (TE) e uso da rede (TUSD), com ICMS, PIS e COFINS, como a Copel publica no site.

Posto Copel, residencial, por kWh
Convencional (qualquer hora) R$ 1,03
Fora de ponta R$ 0,85
Intermediário R$ 1,22
Ponta R$ 1,84

A bandeira tarifária, quando não é verde, soma um valor por kWh às duas modalidades, e o PIS e a COFINS variam um pouco de mês a mês. O que decide é a proporção entre os postos: na Copel, o kWh fora de ponta sai cerca de 17% mais barato que o convencional, e o da ponta, cerca de 79% mais caro.

Agora imagine uma casa no Paraná que consome 300 kWh por mês sem o carro: 45 kWh na ponta, 30 kWh no intermediário e 225 kWh fora de ponta. Some o carro, com 150 kWh por mês.

Só a casa, sem o carro:

  • convencional: 300 × R$ 1,03 = R$ 309;
  • tarifa branca: 45 × 1,84 + 30 × 1,22 + 225 × 0,85 = R$ 311.

Sem o carro, a tarifa branca empata ou perde.

Casa e carro, com o carro carregando de madrugada:

  • convencional: 450 × R$ 1,03 = R$ 463;
  • tarifa branca: R$ 311 da casa + 150 × 0,85 do carro = R$ 438.

Com o carro fora da ponta, a tarifa branca passa a ganhar: R$ 25 por mês, ou R$ 300 por ano. O carro roda 1.000 km por cerca de R$ 128 de energia, uns R$ 0,13 por quilômetro.

Casa e carro, com o carro ligado assim que chega em casa: se metade da recarga cair na ponta, o carro custa 75 × 1,84 + 75 × 0,85 = R$ 202, e a conta vai a R$ 512. Isso dá R$ 49 a mais que na convencional.

Só a recarga do carro, ligado ao chegar em casa: quem conecta o carro por volta das 18h faz quase toda a recarga dos dias úteis na ponta, porque um carregador de 7 kW entrega os 5 kWh do dia em menos de uma hora. São uns 110 kWh por mês a R$ 1,84 nos dias úteis e 40 kWh a R$ 0,85 no fim de semana: cerca de R$ 236 só de carro. De madrugada, os mesmos 150 kWh custam R$ 128. Quase o dobro, uns R$ 108 por mês, ou R$ 1.300 por ano, pelo mesmo carro e os mesmos quilômetros.

O que mais pesa, além do horário do carro, é quanto da casa cai na ponta. Na mesma conta, uma casa que leva só 15 kWh para a ponta e 15 kWh para o intermediário, por ter aquecimento a gás, por exemplo, pagaria cerca de R$ 403 na tarifa branca contra R$ 463 na convencional, uma economia de 13%.

Para estimar a sua divisão por horário, olhe os aparelhos que funcionam no fim da tarde dos dias úteis: chuveiro, forno, ar-condicionado. A Copel tem um simulador da tarifa branca no site, e toda distribuidora deve orientar sobre o impacto da troca (art. 224). Se aderir e não compensar, dá para voltar.

Como garantir que o carro carregue fora da ponta

A tarifa branca só funciona se a recarga respeitar o horário. Não dá para contar com a memória.

  • Agende no carro. A maioria dos carros elétricos permite definir no painel ou no aplicativo do próprio carro a hora de começar a carregar. Comece depois do fim do intermediário.
  • Deixe o fim de semana trabalhar a seu favor. Sábado e domingo são fora de ponta o dia inteiro.
  • Use carregador de parede, não tomada. Um carregador dedicado de 7 kW, num circuito próprio, faz a recarga do dia em pouco tempo e cabe com folga na madrugada. O âmbar-e HOME, de até 7 kW, funciona por Bluetooth, sem internet, e com o app gratuito âmbar-e BLUE você acompanha o consumo. Com os kWh do carro na mão, a conta acima deixa de ser estimativa. Os modelos estão na loja, e o que considerar na instalação está em carregador para casa.

E se eu moro em condomínio?

Aqui a pergunta muda, porque a tarifa branca vale para a unidade consumidora, ou seja, para o medidor da distribuidora.

  • Carregador ligado no medidor do seu apartamento: a modalidade do apartamento é a que conta, e a conta acima vale igual.
  • Carregador ligado no circuito da área comum: a energia sai na conta do condomínio, e você paga ao condomínio pelo que consumiu. Nesse caso quem define o preço do kWh da recarga é o condomínio.

É aqui que a gestão faz diferença. Na plataforma âmbar-e Connect, o condomínio pode cobrar preços diferentes por faixa de horário, ponta e fora-ponta, e assim repassar ao morador a vantagem de carregar de madrugada. O morador paga cada recarga pelo WhatsApp, com PIX ou cartão, sem baixar aplicativo e sem cadastro complicado. Ou, se o condomínio preferir, recebe o consumo de cada um pronto no fim do mês para lançar no boleto.

Como funciona a medição e a cobrança por morador está em quem paga a energia do carro elétrico no condomínio e em rateio de energia.

E quando vários moradores carregam ao mesmo tempo, entra o balanceamento dinâmico de carga. O ADLB, controlador da âmbar-e no quadro de entrada, reparte a corrente disponível entre os carros, em tempo real, para que a soma nunca passe do limite do prédio, e funciona mesmo sem internet. Ele não escolhe o horário mais barato: cuida do limite de potência, e o horário fica com a tarifa por faixa no Connect e o agendamento de cada carro. Juntos, levam a recarga para a madrugada sem estourar a entrada de energia.

A tarifa branca pode virar padrão?

Pode, para parte dos consumidores. A ANEEL discute, na Consulta Pública 46/2025, a migração automática para a tarifa branca dos consumidores dos subgrupos B1, B2 e B3 com consumo a partir de 1.000 kWh por mês. Em agosto de 2026 o tema ainda estava em análise, com parecer da Procuradoria Federal junto à ANEEL de 6 de agosto de 2026; até a data deste texto não encontramos a decisão final publicada. Quem já agenda a recarga do carro sai na frente.

Próximo passo

Se você vai instalar o carregador agora, vale pensar no horário de recarga junto com a instalação, porque é aí que a tarifa branca ganha ou perde. Se quiser ajuda para dimensionar o carregador e o circuito da sua casa, ou para organizar a recarga com cobrança por horário no seu condomínio, fale com a gente.

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